Cirurgia do Sono (Sonocirurgia)

 

Acompanhar o desenvolvimento científico-tecnológico na Medicina se tornou uma necessidade vital para o profissional médico na atualidade, não e diferente no que se refere a evolução do tratamento cirúrgico dos distúrbios respiratórios obstrutivos do sono.

Esta área da cirurgia se tornou uma subespecialidade médica nos últimos anos com a incorporação de procedimentos utilizando a plataforma da Vinci®, produzida pela Intuitive Surgical (Sunnyvale, CA), técnicas de expansão da maxila minimamente invasivas para aumento das dimensões das vias aéreas (DOME/2PENN) e implantes para eletroestimulação de nervos ativam os músculos expansores capazes de reduzir o colapso das via aéreas.

A Cirurgia Robótica Transoral (Transoral Robotic Surgery – TORS) refere-se a uma variedade de procedimentos realizados através da cavidade oral, tanto para patologias benignas quanto malignas. A plataforma robótica oferece ao cirurgião visualização tridimensional dos tecidos com alta definição e magnificação, aliada ao controle de três braços robóticos, conectados a instrumentos com articulação que permitem movimentos de amplitude de até 270º, proporcionando precisão e a destreza na execução da técnica cirúrgica.

A TORS foi inicialmente descrita como uma técnica minimamente invasiva para o tratamento do câncer de orofaringe, representando uma grande evolução em termos de resultados funcionais e recuperação atingidos com cirurgia convencional realizada através de amplos e mórbidos acessos como mandibulotomia ou glossotomia mediana.

Aprovada pelo FDA em dezembro de 2009, a TORS também foi descrita para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS), onde a desobstrução da hipofaringe é o objetivo primário, correspondendo a uma ressecção que pode incluir a tonsila lingual e eventualmente musculatura hipertrofiada da base da língua, com volume de tecido ressecado que pode chegar a 20 gramas nos casos selecionados adequadamente.

O comprometimento do desenvolvimento da face é considerado um fator determinante para a ocorrência da AOS, com descrição de achados que quando detectados são sugestivos de maior colapsabilidade da VAS e associados a presença da doença, como o posicionamento baixo do osso hióide e o aumento do comprimento da faringe. A redução da dimensão transversa da maxila tambem foi também recentemente descrita nos indivíduos com AOS e associada com maior colapsabilidade das vias aereas.

As cirurgias ortognaticas, tanto para o avanço maxilo-mandibular (AMM) quando para visando a expansao da maxila, apresentam resultados favoráveis no tratamento da AOS e os mais recentes estudos apontam para uma mudanca no seu planejamento utilizando novos conceito que comprovam que a colapsabilidade de toda a via aerea superior e determinada pelas dimencoes transversa da maxilla e mandibula que em conjunto com o volume da lingua determina o colapsabilidade da velofaringe.

A eletroestimulação do nervo hipoglosso (ENH) como opção para o tratamento da AOS está sendo estudada desde a década de noventa, inicialmente com eletrodos de superfície e posteriormente com eletrodos implantados. Há evidências de que os eventos respiratórios obstrutivos que ocorrem durante o sono estão relacionados à redução da atividade dos músculos dilatadores da faringe, que são inervados pelo nervo hipoglosso (XII) 5,6, tornando a estimulação elétrica deste nervo uma opção  na prevenção do colapso das via aérea superiores (VAS) em pacientes corretamente selecionados.

Em função da sua participação em pesquisas e ensino na Universidade da Pennsylvania, um dos centros de referência na Sonocirurgia, o Dr. Eric Thuler retornou ao Brasil com o compromisso de trazer aos paciente as mais novas opções de tratamentos alternativos ao CPAP, fruto da melhor compreensão dos distúrbios respiratórios obstrutivos e atualização na indicação das opções cirúrgicas para o seu tratamento.

Dr. Eric Thuler
CRM 94200